Ensaio
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![]() Autor (ensaio): Alexandre Blumberg Data: 08/03/2001
Realmente a aviação russa apresenta projetos fascinantes. Basta navegar na internet e você vai encontrar fotos de aeronaves incríveis, e que nunca imaginava que pudessem existir. Dentre todos os fabricantes russos, está o Antonov, com seu desenho inconfundível: asa alta e o narigão característico. ![]()
As principais características do pacote fechado do AN-24 são: A aeronave propriamente dita com full moving parts; Painel completo realístico; Checklists; Sons reais; Utilitário de gerenciamento de carga; Manual completo de operação; Facilidade de instalar e desinstalar (após a instalação automática, é possível desinstalar o pacote pelo painel de controle do Windows...mas acho que vocês não vão querer fazer isso!) ![]()
Ao entrar no cockpit, a surpresa é grande. O esquema e o layout dos instrumentos é totalmente diferente dos aviões ocidentais (esquema da Boeing, por exemplo) e pior do que isso, todos os instrumentos são russos e obedecem o sistema métrico de medidas (altitude em metros, velocidade em Km/h, ajuste de altímetro em mmHg, DME em Km). Nós brasileiros não deveriamos nos assustar com esse esquema de indicação, pois ele é mais habitual para nós quando dirigimos nossos carros pelas estradas... Mas para quem voa, complica um pouco. Pelo menos eu fiquei um pouco perdido no começo! Mas não se assuste, pois é possível obter indicação no sistema nós/pés/milhas, basta ir no menu Options -> Preferences -> International e configurar tudo para USSystem, mas eu não aconselho pois para simular um vôo real no Antonov, é preciso ter as indicações no sistema próprio.
Já alinhado na pista, aplico flaps 15 graus e mantendo os freios calçados, vou aplicando potência nos motores observando a indicação do TLAI (Throttle Levers Angle Indicator) até que ela chegue a 75%, é o momento em que solto os freios. Aplico full power (potência máxima) e inicio a rolagem, mantendo o alinhamento e observando a velocidade crescer: 100km/h, 150km/h, 180km/h, 200km/h (V1), 210km/h (Rotate). Aplico um pitch de 10 graus e observo o rádio-altimetro para confirmar o "positive rate of climb". Após confirmado, comando gear up (recolher trem de pouso) e flaps 5 graus, e vou ganhando altura rapidamente com a velocidade crescendo para 300km/h. É bom não se perder com a indicação do climb, pois ela indica m/s (metros por segundo) é aconselhável não passar muito dos 5 ou 6m/s (lembre-se que 5m/s é praticamente 1.000ft/min)! Após 300 metros no rádio-altímetro, recolho flaps e inicio curva à esquerda, buscando a aerovia G-550 na proa do VOR de Punta Arenas. Noto uma característica peculiar das aeronaves de asa alta: a lentidão, quase uma "preguiça" em fazer as curvas. Porém essa particularidade dá ao piloto um sensação deliciosa de estar pilotando um avião honesto e estável onde se está sempre no comando. Notem que ainda não liguei o piloto-automático, e nem preciso dele por enquanto, é muito bom voar esse avião na mão! ![]()
Temos muito "chão" pela frente, pois nosso destino está a quase 2.000km de distância. Por isso aproveito para tirar algumas fotos. Claro que para isso preciso ligar o piloto-automático (AP - tecle SHIFT+4), que na minha opinião é um achado. Esqueça tudo que você já viu em matéria de AP's no Flight Simulator. Para começar, é necessário ligar o AP antes de acoplá-lo (aconselho mais uma vez ler o manual de operações). Mas não precisa ficar assustado(a), eu na verdade estranhei um pouco no começo, entretanto acabei me acostumando com o sistema. Para ligar o AP basta acionar o switch apropriado e se acenderá uma luz verde indicadora. Agora para acoplá-lo deve-se pressionar um outro botão, e uma luz amarela indicadora se acenderá. Agora sim, podemos manter a proa e a altitude, porém sem os recursos habituais dos outros AP's. Para mudar a proa basta manipular o knob do giro direcional, movendo o "aviãozinho" e para mudar a altitude basta mexer repetidas e pausadas vezes no switch apropriado no Autopilot. É diferente, e por isso muito interessante. Aliás, devo advertir que por várias vezes o AP se desacopla sozinho! Portanto fiquem atentos... :-)
Após horas voando, estou próximo do meu destino e já recebendo sinal do VOR. Porém, devido a já descrita dificuldade na leitura do DME, chego muito alto em Bariloche. Mas isso não foi um problema tão grande, pois reduzi toda a potência e iniciei um descida íngreme tomando cuidado para não superar os 450km/h de IAS. O AN-24 se comportou muito bem nessa manobra, sem que eu fosse obrigado a executar um 360 graus, como eu já estava quase fazendo, devido a minha altitude. Foi possível perder altitude rapidamente e já no bloqueio do VOR iniciar curva a direita, direto para a perna do vento da pista 28 a fim de interceptar o ILS. Usando a indicação do VOR e do DME (que agora ficou legível pois a estação já se encontra na minha cauda) vou estimando o momento de girar base (tudo isso porque não possuo as cartas de aproximação). Reduzo a velocidade para 280km/h e inicio mais uma curva à direita para interceptar o localizador. Já estou recebendo o sinal do glide e do loc mas o AP não possui o modo aproach e deve ser feita a interceptação manualmente ou manipulando o próprio AP da maneira que já descrevi acima. Finalizando a curva base, já comando gear down, reduzindo a velocidade para 230km/h e flaps 15 graus, devido a preguiça do Antonov em fazer as curvas, eu ultrapasso o curso do localizador, mas não é nada desesperador, pois continuo curvando a direita até interceptar novamente. Mas para isso acontecer mais rapidamente, desligo o AP (teclando Z) e continuo manualmente. Já estou com a pista a vista e prossigo visual mesmo, atento ao VASIS. Vou reduzindo a velocidade para 200km/h aplicando flaps gradualmente e o pitch vai se tornado negativo, uma ótima característica, aliás a visibilidade externa do AN-24 é fantástica! Já na curta final vou reduzindo a potência gradualmente e cruzo a cabeceira com 190km/h e vou arredondando o bichinho já em idle até o toque macio, aplico reversão e o narigão dele ainda continua no alto, mas vai caindo suavemente, quase não é necessário usar os freios. ![]()
O tempo total de vôo foi de 4 horas e 37 minutos e foram consumidos 1.144 galões de combustível. ![]()
Alexandre Blumberg (aberg@bol.com.br) é colaborador de AeroVirtual. Sua home page: users.sti.com.br/aberg.
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